• Roberto Tonin

Os Mineiros e Gaúchos traíram os paulistas em 1932?

Quando foi planejada a ação, teria inicio com a chegada de tropas do mato grosso, que se juntaria a tropas de S.Paulo, junção de soldados do exercito e policiais, se encontrariam na divisão com rio de janeiro, se reunindo com tropas mineiras, e aguardariam os vindos do rio grande do sul. Em seguida avançariam até a capital federal no rio de janeiro. Depondo Getúlio. Simples.

Porem a data planejada foi 14 de julho, para coincidir com a revolução francesa.

Entretanto mineiros e gaúchos pediram mais tempo para se organizarem, ao passo que no mato grosso pediram para antecipar os acontecimentos. E fatalmente nos dias 8 e 9 de julho, o general Klinger chefe das forças no Mato grosso desembarcou em SP, e precipitou a ação. Porem não trouxe o exercito, isso forçou os rebeldes a decidir se continuariam ou desistiriam. E no 9 de julho deu inicio a rebelião. Ao chegar ao local combinado, não havia mineiros nem gaúchos.

Em minas, o ex-governador Arthur Bernardes não conseguiu reunir apoio nas cidades, só obtendo sucesso no triangulo mineiro e sul de minas, com a precipitação da revolta o governo federal rapidamente ocupou as cidades substituindo ou ameaçando os comandantes, impedindo a adesão a revolta.

No RS, o governador Flores da Cunha fez um jogo duplo, e no momento crucial decidiu mobilizar a favor de Getúlio, o que provocou uma guerra interna, com os partidários do ex-governador Borges de Medeiros, pro SP, a iniciar uma guerra de guerrilha dentro do RS, que durou até o final do conflito.

Não é justo falar em traição, porque o plano não saiu como combinado, e os mineiros e gaúchos fizeram tudo ao alcance para mobilizar seus pares. Em minas muitas tropas atravessaram a divisa e se alistaram nas forças paulistas, inclusive um regimento inteiro do exercito sediado em Belo Horizonte.

No RS, as tropas persistiram na guerrilha rural até após a rendição paulista, alguns recusando depor armas e se refugiando no Uruguai.

O coronel Figueiredo em suas memorias responsabiliza o general Klinger do mato grosso, por ter precipitado a revolta e prejudicado a organização do movimento.

Além disso podemos identificar nas centenas de livros de memorias dos veteranos, relatos de frustração com o resultado da guerra, e apontam geralmente seus aliados em minas e RS como responsáveis pela derrota. O que é comprovadamente injusto.

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