O mito da Política do Café com Leite.

A expressão 'política do café com leite' para caracterizar a condução dos governos brasileiros durante a primeira fase do regime republicano - o período, entre 1889 e 1930, conhecido como 'República Velha'. A expressão comporta mais de uma interpretação. A primeira delas, repetida à exaustão em livros de autores desatentos e em salas de aula, sustenta que naquele período revezaram-se na presidência, um sucedendo ao outro, políticos paulistas e mineiros. Como São Paulo detinha a hegemonia na produção do café e Minas Gerais a do leite e dos laticínios, eis a engrenagem café com leite impondo-se ao resto do país. Ora, apenas duas vezes - na sucessão de Rodrigues Alves por Afonso Pena e na de Artur Bernardes por Washington Luís - ocorreu uma troca de político paulista por mineiro, ou mineiro por paulista."

A ideia difundida em livros e artigos acadêmicos aponta que havia um revezamento de políticos paulistas e mineiros – café com leite – no exercício do poder federal – presidência da republica. E que todo debate politico era suprimido. E essa seria a razão dos “revolucionários” de 1930 e consequentemente dos governistas em 1932.

mas essa ideia não tem fundamento: não existiu revezamento entre paulistas e mineiros, na revista abordo esse ponto, houve os 3 primeiros presidentes civis, paulistas porque o Partido Republicano era mais forte em S.Paulo no período da monarquia, com sua queda o PRP mais estruturado venceu as eleições facilmente. Após isso houve disputas acirradas entre os Partidos Republicanos estaduais, alianças eram feitas conforme o momento, numa situação o baiano Rui Barbosa apoiado por SP, perdeu por pouco por Arthur Bernardes de minas, noutro paulistas e mineiros disputando viram o gaúcho Hermes da Fonseca levar a eleição. Finalmente o carioca Washington Luís, que foi governador de S.Paulo, venceu as eleições, para seu governo nomeou Getúlio Vargas como ministro da economia.

Mesmo com disputa entre os PR estaduais, havia outros partidos, O Democrata, o Comunista e outros menores como o liberal. Mas estes elegiam deputados, mas não cargos majoritários. Algo semelhante ocorreu no México, com o PRI governando o pais por décadas.

Ocorria o fenômeno do voto de cabresto, que era assessores políticos que chamavam as pessoas em suas casas e as convenciam a irem votar, geralmente votavam no candidato do assessor. Isso ocorre até hoje.

Portanto a ideia de uma polarização e monopólio é equivocado. Existia sim um grupo mais estruturado e com recursos de um lado, e pequenos partidos idealistas de outro.

A logica é ideológica, se você abre uma padaria e tem dificuldade de concorrer com padarias mais famosas, não adianta criticar o capitalismo, é preciso encontrar melhores estratégias para crescer.

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